Ele:
— Alguém já disse que tens belos olhos?
Ela:
— Algumas vezes... mas nunca acreditei.
Ele:
— Deveria.
Ela:
— Outrora ouvi dizer que são eles as janelas da alma.
Ele:
— Sim, e são.
Ela:
— Por isso nunca acreditei nos elogios que me fizeram. Minha alma não está em um bom estado.
Ele:
— E como se encontra tua alma?
Ela:
— Imagine uma carta mal escrita, com letras tortas, um assunto sem sentido, sem rumo. Amassada, rasgada, queimada.
Ele:
— Imaginei...
Ela:
— Esse é o estado dela agora.
Ele:
— A minha alma é o reflexo da sua.
Ela:
— Então você deve estar todo quebrado por dentro, destruído, com o coração em estilhaços, não é?
Ele:
— Na verdade, estou.
Ela:
— Não gosto de saber que meus humores te machucam.
Ele:
— Então não sofra mais assim. Dê um fim nisso.
Ela:
— Não posso...
Ele:
— E por que não?
Ela:
— Eu teria que te matar, ou me matar, o que daria no mesmo... mas, pra isso acabasse, essa seria a solução.
Ele:
— Eu sou o causador disso em você?
Ela:
— Sim. Com certeza sim.
Ele:
— E o que eu posso fazer pra que isso pare?
Ela:
— Talvez se você morresse, eu pararia de sofrer por esse amor enjaulado que trago comigo.
Ele:
— Pararia? Mas... Como assim? Você me ama tanto?
Ela:
— Mais do que qualquer coisa sobre a face do mundo. Incondicionalmente, sim. Amo você como não há formas de outra pessoa amar.
Ele:
— Mas, se eu morresse, você enfim pararia de sofrer por esse amor?
Ela:
— Sim, pararia. Mas morreria junto com você. E mesmo que eu permanecesse respirando eternamente, morreria todos os dias, por não ter você junto da minha sombra no pôr-do-sol de cada tarde, seus sussurros embaraçados aos meus nos prazeres de cada noite, ou seu sorriso alvorecedor quando eu acordar... Não ter isso pra mim, é horrível. É doloroso...
Ela:
— Mas, isso não vai acabar. Eu prometo.
Ela:
— Você não pode prometer um futuro que não te pertence. Suas palavras não podem construir pontes sobre mares que você não conhece.
Ele:
— Mas eu posso te prometer uma coisa, acima de qualquer incerteza...
Ela:
— E o que seria?
Ele:
— Eu vou te amar com cada pedaço de meu corpo, em cada segundo da eternidade, sobre cada coisa do universo. Eu juro, que mesmo que a morte tente calar esse amor, não será capaz. Meu amor grita mais do que qualquer barulho nesse mundo.
Ela:
— Eu não duvido da intensidade disso, mas, não é o suficiente pra te ter comigo pra sempre. E você sabe disso.
Ele:
— É, eu sei. Mas tudo vai dar certo...
Ela:
— Espero que sim.
Ele:
— Eu jamais deixaria algo te tirar de mim.
Ela:
— Eu jamais permitiria que algo me tirasse de você.
Ele:
— Que a eternidade seja nossa aliança, nosso caminho, e nosso tempo de amor.
Ela:
— Que nossos olhares jamais se apaguem com o chegar da noite.
Ele:
— Que nossos lábios jamais deixem de se encontrar por acaso.
Ela:
— Que assim seja!
Ele:
— E que assim permaneça!
Ela:
— Pra sempre, até depois do final?
Ele:
— Pra sempre.
<silêncio>
(Anndré)